Quantas vezes, ao abrir uma rede social, o sentimento que surgiu foi de angústia, ansiedade ou aquela sensação profunda de invalidação e de não sermos suficientes?
As redes sociais impactam a vida das pessoas de formas variadas: podem trazer benefícios importantes, como aproximação e acesso a informação, mas também trazem efeitos que merecem nossa atenção, especialmente quando falamos da saúde mental feminina. Nelas, encontramos um universo vasto de conteúdos — mas também padrões que são apresentados como ideais inquestionáveis: fórmulas prontas de felicidade, regras de como se vestir, se comportar e viver.
Por toda parte, nos deparamos com vidas que parecem perfeitas e pessoas que parecem sempre felizes. É justamente nesse contexto que vamos nos perdendo: afastamo-nos de quem realmente somos e do que significa ser feliz para nós mesmas. Passamos a entender que sofrer é algo inadequado, que estamos “desencaixadas” ou vivendo de forma errada, quando na verdade as dificuldades fazem parte de qualquer trajetória humana. Pouco a pouco, esse movimento vai alimentando a angústia, a sensação de invalidação e o sofrimento inerente à comparação.
Nesse processo, passamos a comparar nossos corpos, nossas conquistas e nossos limites com a realidade alheia. Sentimo-nos incapazes de dar conta da rotina ou de ser “produtivas o suficiente”, pois vemos outras pessoas compartilhando apenas seus sucessos. Isso alimenta sentimentos de ansiedade e culpa, como se nossa existência devesse seguir um ritmo imposto de fora. Além disso, a pressão constante para se apresentar como eficiente, realizada e sempre disponível intensifica o esgotamento mental e a sensação de que nunca estamos fazendo o bastante.

Como psicóloga, ressalto um ponto fundamental: o que vemos nas redes sociais não é a história completa de ninguém — trata-se apenas de um recorte escolhido, editado e preparado para ser exibido. Não temos acesso às dores, aos conflitos, às frustrações e aos momentos de fragilidade que certamente acompanham a vida de qualquer pessoa, por trás da tela.
Quando compreendemos que cada ser humano tem sua própria história, suas marcas e sua forma de perceber o mundo, entendemos que o que aparece nas redes é uma construção subjetiva — e que a vida não segue uma “receita de bolo”, igual para todos. Não existe um jeito certo de ser, nem uma medida única de felicidade.
O mundo se torna rico e interessante justamente pelas suas particularidades e por cada experiência ser única. O caminho mais saudável é deixar de usar a realidade do outro como régua para a sua própria vida e buscar, com carinho e escuta, aquilo que realmente faz sentido para você.
Com carinho, Monica Bello

* Psicanalista/Psicóloga, CRP 06/236284 - Saúde Mental e Emocional da Mulher, Colunista, Formada em Letras, Palestrante Especialista em Inteligência Emocional, Autora do Ebook Como ser um Psicanalista. Instagram: @psi.monicabello